quinta-feira, 9 de julho de 2015

Alfabetização e Autismo

A primeira grande expectativa e angústia de pais de autistas é sobre a comunicação de nossos filhos e claro, incluindo neste ponto a grande espera pela comunicação verbal, ouvir finalmente a voz linda de nossos filhos.

Mas como sempre queremos melhorias no desenvolvimento de nossos anjos, o próximo grande desafio é a alfabetização de nossos autistas. Nós nos encontramos neste ponto, e a alfabetização já iniciou no ano passado, aprendendo a juntar as letras e formar sílabas e palavras, mas o que percebemos é que só agora nosso garoto realmente está preparado para alfabetizar, e o principal, quer muito aprender a ler e escrever as palavras.

Como percebemos isto? Foi um despertar para as palavras, quer saber o que está escrito nas legendas ou partes de filmes, em propagandas, em outdoors na rua, em placas, em revistas, enfim tudo que ele não consegue identificar ele pergunta o que está escrito.

Fora este grande e importante interesse, começou a querer escrever palavras, ouvindo o som das letras e tentando decifra-las para a escrita, e por conta própria começou a pegar papel e escrever o que queria aprender. Até no durante o banho quer escrever no vidro embaçado do box.


Como estava acabando com nosso estoque de folhas, elegemos um caderno para suas anotações, e quando esta vendo um filme ele escolhe alguns personagens e pede para ajudarmos a escrever no caderno, por exemplo, quando come quer saber como escreve o nome dos alimentos.




E esta realmente prestando atenção aos sons das palavras, como no dia que chegou do passeio do zoológico com a escola e sugerimos que ele escrevesse para nós os nomes dos animais que mais gostou, e na hora de escrever macaco colocou a letra “k”, afinal é este o som do “ca”, e demorou para aceitar que escreve com o “c”.

Também quer escrever cartas para as vovós e colocar em envelopes onde claro tem que escrever os nomes, às vezes confunde alguma letra, ou até inventa uma palavra, mas se diverte e esta feliz em escrever.

Na semana passada estávamos chegando de carro em casa e ele disse que precisava de tesoura, questionei o que ele queria cortar, mas ele correu pegar seu caderno e disse que precisava escrever tesoura que começava com a letra "T".


As sílabas e letras que ele já aprendeu na escola estão mais fáceis de ler e escrever, mas a maioria ele ainda precisa de ajuda, mas acho que o importante é ele querer ser alfabetizado, o que esta facilitando muito seu aprendizado. 
E nós estamos vibrando a apoiando este seu interesse!


Neste assunto sobre alfabetização, encontrei umas informações interessantes que seguem abaixo:

O que acontece no cérebro
Hoje sabemos que alfabetizar pode ser definido também como “ensinar o cérebro a ler”, formar as conexões cerebrais entre as áreas visuais, auditivas e motoras do cérebro para ler e associá-las com as áreas responsáveis pelo processamento e compreensão da linguagem.

O que a criança precisa para se alfabetizar
A criança precisa de um determinado nível de maturação cerebral e de ativação das áreas responsáveis pela formação da palavra (área cerebral denominada área da forma das palavras). Também precisa de algumas capacidades de concentração e um mínimo de abstração para compreender o princípio alfabético e as valências entre fonemas e grafemas. Precisa, ainda, de alguma capacidade de concentração e memória de curto prazo.
A maioria de crianças de 5 anos de idade é capaz de fazer isso com algum esforço, algumas o fazem com muito esforço e outras com pouco esforço. Ao final dos 5 anos, as crianças em geral possuem todas as condições para serem alfabetizadas de maneira sistemática. Exceções existem – algumas criança podem aprender a ler a partir de 3 ou 4 anos. A única consideração relevante, nesse caso, é que isso compete com outras atividades que seriam mais importantes nessa etapa do desenvolvimento infantil.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Habilidades Sociais

No último fim de semana participei de um Workshop sobre como desenvolver habilidades em crianças e adolescentes do espectro autista, com a psicóloga Patrícia Barros em parceria com a associação Planeta Aspie.

Resolvemos que seria importante aprender algumas dicas, pois nosso menino tem muita vontade de participar de grupos e brincadeiras com outras crianças, mas ainda não tem muita habilidade para manter uma conversa e respeitar o espaço de cada criança dentro da brincadeira. Esta carência ficou muito clara para nós quando fizemos um passeio na Fazendinha e ele de forma alguma quis ficar perto de brincadeiras de crianças pequenas, ele só quis ficar perto das crianças maiores que estavam brincando no campo de futebol, e ele tentou, se aproximou delas, sentou ao lado, tentou falar algumas palavras, com uma rapidez que parecia estar falando italiano (segundo os meninos!), mas depois de um tempo as crianças acabaram saindo do local e ele ficou meio perdido, sem saber como agir.



Foi abordado neste dia de estudos que como as crianças do espectro autista tem dificuldades no sistema cognitivo, elas acabam não se envolvendo emocionalmente e tem de ser ensinadas de como desenvolver esta habilidade de conseguir perceber, interferir e interpretar o que as pessoas sentem e pensam.
E para ajudar nossos filhos devemos explicar quando percebemos que eles não entendem o que seria apenas uma brincadeira ou uma piada, explicar que existem mentiras sociais para evitar magoar as pessoas em determinadas situações.
E uma dica que achei muito valiosa é tentarmos nos policiar no dia-a-dia a substituir afirmações por perguntas, de que precisamos ensina-los a pensar, como se fossemos detetives em uma investigação.



Também foi colocado sobre a importância de encontrar uma motivação para desenvolver as habilidades sociais, dependendo da idade esta motivação vai mudando é claro, como: ser aceito? Namorar? Brincar em grupo?...
O curso teve duração de um dia inteiro, onde foram apresentados inúmeros exemplos e dicas, bem como dois métodos utilizados por profissionais em grupos de crianças e adolescentes no desenvolvimento destas habilidades, o que despertou nos pais e profissionais presentes mais curiosidade sobre o assunto.

Aqui em casa já estamos trabalhando o “ensinar a pensar”, tem horas que ele até se cansa de tanto responder perguntas e percebemos que ele entende melhor quando tem que pensar para responder ao invés de apenas ouvir uma bronca ou instrução, mas sabemos que o caminho é longo e de que precisa treinar também em grupos, como na escola.


Foi um dia produtivo para mamãe, conhecendo novos assuntos e novas pessoas, e para o papai e nosso anjo um dia só deles que foi lindo e divertido com direito a passeio e presente!!!

quarta-feira, 15 de abril de 2015

2015, 8 anos e conquistas!

O ano de 2015 iniciou agitado, decidimos nos aventurar e ver os fogos da virada de ano em Copacabana, ele foi super animado, passamos pelo túnel, todo mundo gritando, ruas lotadas, assistiu todo o espetáculo e ficou feliz pelo passeio.

Viajamos para o Sul visitar as famílias e foi uma viagem de carro tranquila e muito divertida, mesmo querendo chegar logo e perguntando a cada 5 minutos se já estava chegando na casa das vovós.

Também iniciamos um novo tratamento homeopático com nossa querida médica, que mesmo desacreditado por outros profissionais está tendo um resultado surpreendente. Não vou citar aqui o nome dos médicos e do tratamento, porque cada criança é única e o que funciona para nosso menino pode não ser o ideal para todos.

As férias este ano foram longas, a escola do Rafael mudou de bairro e por este motivo atrasou o início das aulas. E este ano começou a se deslocar até a escola de condução, vai feliz e animado!

Enfim, as principais conquistas estão na comunicação e no amadurecimento, nosso menino está se comunicando cada vez mais e de forma mais clara, as palavras já são faladas corretamente (pelo menos a maioria) e para formar frases ele pensa bem e tenta acertar a frase e a conjugação do verbo e não fica bravo se corrigimos.
O amadurecimento está engraçado, ele não quer brincar de certas brincadeiras e fica feliz se elogiamos que esta ficando mais velho e maior e lhe damos mais responsabilidades, quer tentar fazer tudo sozinho, está bem independente e voltou a dormir sozinho em seu quarto.

Tem apresentado algumas conclusões muito engraçadas sobre fatos cotidianos, como implicou que se alguém aqui em casa comer molho de pimenta vais soltar fogo igual dragão e até experimentou e depois disse que já tinha apagado o fogo. Também começou a se preocupar mais com os outros, observando se estamos tristes, felizes ou bravos, na semana passada conseguiu acertar a bola de tênis exatamente dentro da tigela de cereais do pai espirrando leite em sua camisa, veio correndo olhando para a sujeira, dizendo, sujou a camisa do escritório do papai, agora ele vai pelado.
Então chegou abril, seu aniversário, escolheu o tema Lego para sua festa e pediu um tobogã e uma cama elástica na festa, que foi toda preparada com muito carinho, convidando poucas pessoas, do prédio, da escola e alguns amigos que fizemos aqui no Rio. Para completar sua felicidade vieram as vovós , a Dinda e a querida prima, que ele não largou desde a hora em que ela desembarcou do avião.
E surpreendeu novamente, não ficou ansioso com os preparativos e só viu a decoração antes da festa, ficando emocionado de ver suas criações de Lego na mesa de doces, criações que eu pedi para ele fazer especialmente para festa e que ele fez com muito capricho.
Montou o Cristo Redentor em cima do prédio
O bolo e alguns doces encomendamos sem glúten e sem caseína, e ele pode corta-lo e experimenta-lo sem nenhuma restrição, brincou muito, ficou muito feliz com cada criança que chegava em sua festa.


Foi uma festa linda, não pelos enfeites e decoração e sim pela alegria das crianças e de seus pais, todos brincando, correndo, se divertindo, os recreadores cuidando e divertindo as crianças e os pais conversando e trocando experiências, foi uma festa inclusiva, no sentido bem completo do termo, todas as crianças brincando independente de suas diferenças ou diagnósticos, eram apenas crianças se divertindo!

O ano começou assim agitado, e promete ainda nos trazer muitas conquistas e vitórias!








quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Cabelos, uma longa história!

Nosso menino sempre teve um cabelo lindo, e desde muito novo começou a frequentar o salão para cortar seu cabelo, mesmo antes de 1 ano de idade, e assim foi se acostumando com o Tio Marcio, seu primeiro cabeleireiro.

Depois de 2 anos o processo de cortar o cabelo começou a ficar mais difícil, montávamos um esquema no salão onde o papai segurava com firmeza e mamãe tentava distrair, enquanto seu cabelo era cortado aos gritos, traumatizando quem estivesse no salão.

Quando completou 3 anos e recebemos seu diagnóstico, tentamos levar o cabeleireiro até em casa, para ver se a situação melhorava, já que Rafael estava maior e segura-lo cada vez mais difícil, causando sofrimento em nós e em quem estivesse perto. Infelizmente a estratégia foi um desastre, e como papai que é forte não estava no momento, mamãe teve que tomar uma decisão radical de passar a máquina deixando o cabelo todo curto rapidamente.
Foi um choque para toda família, mas foi tanto sofrimento, gritos e choros naquele momento, que realmente não vi outra saída.
E ele ficou assim por alguns meses sem precisar cortar o cabelo.


Depois que o cabelo cresceu e não tinha mais jeito, tínhamos que corta-lo, optamos por uma nova aventura, adquirimos uma máquina de corte e uma nova fase iniciou, papai segurando o garotão e mamãe, que não tem vocação nenhuma para cortar cabelos (quando criança destruía os cabelos das bonecas!), teve que dar jeito e passar a máquina no lindo cabelo do nosso anjo.
E assim ficamos por cerca de 1 ano, realmente estragando o cabelo do nosso menino, que aos poucos diminuía seus gritos e choros, mas que ainda não aceitava o ato de cortar os cabelos.


Em agosto de 2011, quando ele já tinha 4 anos, após uma reunião de pais, recebemos a sugestão de um salão aberto na cidade que era especializado em corte infantil, todo colorido, com cadeiras pequenas, vídeo game, vídeos e brinquedos, tudo para distrair as crianças, e decidimos mergulhar em uma nova aventura.
Explicamos para nosso garotão sobre o local, dando muita ênfase nas coisas divertidas que ele veria e brincaria e esquecendo um pouco o detalhe que teria que cortar o cabelo, mas que lá não se usaria máquina ou secadores com barulhos e apenas tesoura.
E este foi o primeiro corte no salão infantil em Blumenau, onde encontramos mais um anjo, a Tia Liza, que cortou seu cabelo com agilidade, antes mesmo dele perder a paciência, e só usando a tesoura, no meio de muitos brinquedos.

E assim seguimos nos próximos anos, cada vez menos receoso em ir ao salão infantil cortar seu cabelo, cada vez reclamando menos e claro, cada vez mais lindo!

Foi então que em final de 2014 mudamos para o Rio de Janeiro, e começamos a procurar por um salão infantil para que nossa paz continuasse no momento de cortar o cabelo do nosso anjo.


Encontramos um salão mais distante de nossa casa, em um shopping, mas começamos a frequenta-lo e Rafael aceitou bem a mudança, continuando a cortar seu cabelo com a tesoura.

Mas nós sempre queremos mais evoluções, e ter que se deslocar para um shopping longe só para cortar o cabelo já estava cansando, sendo que o papai havia encontrado um salão estilo Barbearia na frente do nosso prédio onde cortava seu cabelo.
Foi então que começamos a conversar com nosso garotão, explicando que homens vão em Barbearia e que ele estava crescendo e que podia ir cortar o cabelo junto com o papai, que lá eles poderiam usar só a tesoura também, e para nossa surpresa ele aceitou e há 3 meses corta o cabelo no salão em frente ao nosso prédio, com o Sr. Ademir, que com sua paciência e habilidade corta seu cabelo também usando só a tesoura.

E em cada corte mensal está mais tranquilo, até faz caretas para o espelho!

Por isto não podemos desanimar, mesmo os obstáculos sendo imensos e difíceis, temos que ir realizando as tarefas por partes até chegar em nossos objetivos.

O nosso próximo objetivo é conseguir fazer o acabamento do cabelo com a maquininha, em todo corte perguntamos para nosso anjo sobre seu uso, por enquanto não aceita, mas logo aceitará!


Relembrando toda esta trajetória dos cabelos e principalmente vendo o lindo sorriso do Rafael no espelho do salão só me faz ter certeza de que estamos no caminho certo e de que ele é um vencedor, pois ele é o que mais luta para conseguir vencer suas dificuldades e nos reabastece de energia todos os dias com suas evoluções.

Aproveito para agradecer imensamente o Tia Marcio e a Tia Liza por tanta paciência e carinho que tiveram com nosso Rafael, deixando-o mais lindo a cada corte!