sexta-feira, 29 de junho de 2012

Essência pura: verdadeiros anjos


Algumas características em nossas crianças são tão intensas que muitas vezes ficamos refletindo e agradecendo pela sua pureza, sua sinceridade e por todo amor que irradia de seus olhos e sorrisos.
As primeiras teorias que surgiram especificamente sobre o autismo focavam muito sobre a falta de sentimentos das crianças e o seu isolamento em seu próprio mundo, sendo que alguns pesquisadores até culpavam os pais. Mas o que percebemos em nossos anjos é exatamente o contrário, eles são muito afetuosos, amáveis e carinhosos, e em alguns momentos preferem desligar e parecem ficar em um mundo distante, talvez para recarregar energias ou processar informações, mas depois deste breve momento desligados, eles voltam a ficar antenados em tudo o que ocorre ao seu redor, e se bem trabalhados desde cedo, estes momentos ficam mais raros e curtos.
Uma característica relatada pela maioria dos pais é a sinceridade de nossos anjos, eles não conseguem mentir e nem disfarçar quando não estão confortáveis em determinada situação ou com determinadas pessoas. Aliás, com as pessoas que elas gostam são extremamente carinhosas, apesar de nem sempre quererem abraçar ou beijar, querem estar perto, chamar sua atenção, brincar, ficam realmente felizes na presença de pessoas queridas e conseguem com certeza transmitir esse amor pelo seu sorriso encantador e seu olhar profundo. Muitas vezes para nossas crianças é um pouco difícil falar de sentimentos, mas expressá-los é um pouco mais simples, e não precisa ser somente por abraços e beijos, nossos anjos nos ensinam que com boas atitudes, educação, sinceridade e um enorme sorriso também podemos transmitir  nossa felicidade e alegria por sua companhia.
Nossos anjos também nos ensinam sobre a simplicidade, eles são muito conectados a natureza e aos animais, e brincadeiras simples ao ar livre ou em um parque são bem mais produtivas, claro que nossas crianças também gostam de passear em shoppings, cinemas e lojas, mas para recarregar as energias nada melhor que correr e correr em um gramado bem verde, com um lindo sol no céu. Parece que depois do nascimento do nosso anjo voltamos a prestar atenção em paisagens e coisas simples do dia-a-dia, como uma simples brisa no rosto ou um céu estrelado com uma linda lua.
E para completar sua linda essência, o que nos deixa perplexos é o desapego a coisas materiais, dividem todos seus brinquedos, ficam felizes de verem outras crianças se divertindo com seus brinquedos, procuram roupas pelo conforto e não pela marca ou modelo da moda, escolhem brinquedos simples, como caminhões de plásticos. Algumas semanas atrás nós estávamos em uma loja grande de brinquedos em um shopping, Rafael se agarrou em um caminhão de bombeiro de plástico, e passeava pelo shopping comigo procurando um presente para uma amiga quando o pai de outro menino falou: “viu filho, decide logo o que você quer, vê este menino, além de já ter escolhido um brinquedo, pegou um bem barato e está super feliz”. É nestes momentos que penso realmente na sua essência e como coisas mais simples também podem nos trazer satisfação e alegrias, o problema é que nos acostumamos a ter sempre o melhor e mais caro, mas isto sempre nos satisfaz? Espero não estragarmos esta essência pura de nossas crianças, que possamos pelo menos os deixar serem assim pessoas simples, embora os meios de comunicação e a própria comunidade em que vivemos age de forma contrária.
Enfim, bem diferente da imagem  formada que temos de crianças autistas, nossos anjos revelam que são crianças encantadoras, que irradiam muita alegria e amor em seu sorriso, em seu olhar e até no seu jeito de se expressar, mesmo quando não conseguem falar nenhuma palavra.

sábado, 23 de junho de 2012

Festas Juninas

Junho, mês das festas juninas, e o Rafael meio apreensivo com a ideia de ter que se apresentar. Ensaiou a tal música de São João, mas quando soube que a festa na escola era só com as crianças ficou super animado.




Colocou a roupa um pouco mais cedo para o papai ver antes de sair para o trabalho, deixou pintar o bigode, se olhou várias vezes no espelho, pulou, dançou tirou fotos. Até mandou o pai ir trabalhar, pois sabe que depois que o pai sai é a hora de sairmos para escola. Colocou o chapéu e só o tirou para entrar no carro.


Foi pulando de felicidade, aproveitou a festa, segundo sua querida professora lanchou bem, era um lanche coletivo que eu expliquei que era como em um picnic, ele disse que seria igual da Dora (desenho animado) e entendeu bem como funcionaria.
Fomos para escola, Rafael super animado, acredito que realmente aproveitou muito a festa, pois quando cheguei para busca-lo estava distraído brincando feliz entre as crianças, nem me viu, só quando um amiguinho disse a ele: "sua mãe chegou", ele me procurou, me viu e veio correndo feliz me abraçando.




Muito bom ver nosso anjo feliz e alegre, principalmente em festas e eventos que mudam sua rotina na escola, é mais uma vitória do nosso anjo Rafael.
Agradecemos também a escola, sua coordenação e sua querida professora, que com sua dedicação e paciência inclui com muita naturalidade nosso anjo em todas a s atividades, até as tarefas de casa ajudam ele a aprender e compreender as atividades da escola e de seu dia-a-dia.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Comunicação: como ajudar nossos anjos



Uma dificuldade de crianças com transtornos do espectro do autismo é na parte de comunicação, principalmente verbal, algumas demoram a falar e compreender nosso mundo, outras podem nunca falar e somente emitir sons e ainda assim se comunicar de outras formas.
Sendo assim cito abaixo o texto do livro de Chris Williams e Barry Wright sobre o assunto e na sequência mostro como trabalhei e ainda trabalho esta questão com meu anjo Rafael.

“Para ensinar crianças a se comunicarem, temos que ajuda-las a entender que palavras, figuras e símbolos têm significado. O processo inicial é ensinar a associação entre figuras e objeto, que pode ser feito com jogos nos quais se nomeiam objetos. Depois, pode expandir-se para atividades, inicialmente usando-se ações reais (por exemplo, beber no copo) e, então, o abstrato (por exemplo, fingir que bebe no copo). Assim, pode-se usar a figura de um copo para expressar a necessidade de beber. Depois que se aprende essa etapa, pode-se acrescentar mais figuras.
Há dois modos de se usar figuras mais sistematicamente: o sistema de comunicação com troca de figuras para melhorar a comunicação; e o horário visual, o qual se emprega uma série de figuras para explicar uma sequência de eventos futuros. Constatamos que ambos são de grande utilidade para muitas crianças. Algumas talvez não atinjam este estágio, mas ainda assim recebem ajuda com o uso de cartões isolados para indicar o que farão a seguir.”

Quando o Rafael tinha três anos, e não falava nenhuma palavra inteira, somente algumas sílabas, montamos um caderno colando figuras de revistas, escrevendo o nome embaixo com canetinha, geralmente de objetos de seu interesse ou do dia-a-dia, e ficávamos horas mostrando para ele e repetindo as palavras, neste momento ele começou a nomear os objetos com a sílaba que ele conseguia falar, por exemplo, carro era ca, música também era ca, bola era bo, Depois de muitos meses em terapia com fonoaudióloga, pedagoga e musicoterapia é que começou a falar as palavras inteiras. Seu nome de orou um pouco mais para falar, seu professor de música até compôs uma música com seu nome para ajudar a ensina-lo.
Em paralelo a esta etapa, criamos cartões, como uma agenda visual, para diminuir sua ansiedade, uma vez que só falando para ele o que faríamos em seguida ele parecia não entender, e mostrando os cartões ele ficava mais calmo e confiante quanto a sua rotina diária.
Materiais: grampeador, cola, tesoura, papel colorido tipo cartão ou cartaz, papel contact, fotos impressas.


Estes cartões são fáceis de fazer:
- Cortam-se quadrados ou retângulos de papel cartaz colorido;
- Com grampeador, grampeia um pedaço de velcro atrás do papel recortado;
- Imprime fotos pequenas das várias atividades diárias da criança e recorta-se um pouco menor do papel colorido;

 - Cola-se a foto recortada na parte da frente do papel colorido deixando uma borda;
- Pode escrever o nome da atividade ou colar este nome impresso;
- Cobrir a frente do cartão (lado da foto) com papel contact para proteger a foto de acidentes;
- Pregar ou colar uma tira do outro lado do velcro na parede ou em um mural;
- Fixar com o velcro os cartões com atividade do dia ou do período desejado em local que a criança tenha acesso para ver as fotos e poder manipula-las junto com os pais ou cuidadores (atrás da bateria na foto ao lado está fixado o velcro com os cartões).

Para nosso anjo isto funcionou muito bem, ele começou a entender a sequência de seus dias, ficou menos ansioso, adorou as fotos, com o tempo ajudava a montar a rotina diária. Usei estes cartões por um ano.


Quando Rafael fez quatro anos, já não era mais preciso usar os cartões, ele entendia bem a rotina quando explicávamos o que iria fazer no seu dia, mas como sua escola mudou de local físico, decidi fazer cartões mais simplificados, só com as atividades principais. Ajudou bastante também e foram usados só por um período, depois não precisou mais.






E este ano, com a mudança de escola, de amigos, de professora, e por ele estar já maior, decidi que ele deveria entender sua rotina semanal e não só diária e por isso montei um quadro com a semana toda dele, onde coloco as atividades em cada dia respectivo. Ele já sabe de cor o que ocorre cada dia, mas este calendário ajuda quando tem feriados ou alguma visita ou atividade que poderia causar ansiedade por não saber quantos dias falta, então colamos no quadro da semana um desenho, ou um convite do evento no respectivo dia da semana que ele vai ocorrer e assim o Rafael sabe exatamente quando será o tão esperado evento, festa ou passeio, ou até quando alguma terapia muda de dia.



Além das ferramentas de comunicação que utilizamos com as crianças, somadas as terapias, não podemos esquecer algumas dicas preciosas para comunicação de nossos pequenos:
  1.  Usar linguagem simples, poucas palavras (“Rafael guarde os brinquedos”, ao invés de “Rafael, por favor, vai guardar os brinquedos”);
  2. Contato frente a frente, mesmo que a criança não goste de olhar em seus olhos, aproxime-se e tente o contato visual, não podemos desistir de ensina-los que olhar nos olhos é muito importante;
  3. Dar tempo para as respostas, nossos anjos podem demorar um pouco mais de tempo para processar e entender o que estamos dizendo;
  4.  Falar mais devagar, facilitando o entendimento da informação;
  5.  Repetir a informação se necessário.
E além de todas as intervenções e ferramentas adicionar muita paciência, amor e dedicação!

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Conversa de pai para pai

Postagem escrita meu querido marido Marcos, dedicado a todos os pais de nossos lindos anjos:

"Todo homem tem ou terá o sonho de ser pai. É um dos marcos mais importante das nossas vidas.
Quando nos tornamos pais deixamos de ser apenas filhos, transcendemos o ultimo laço da nossa individualidade e de nós será exigida a maturidade e desprendimento.
O filho é para o pai a sua continuidade, queremos com eles compartilhar nossos gostos, preferências, valores e queremos a reciprocidade na forma de admiração e respeito.
Por isso a dor que sentimos diante do diagnostico como o do autismo  é um pouco diferente daquilo  que é sentido pelas mães.
 Quando soube em definitivo do diagnostico do Rafael na consulta com o Dr. Sergio, senti uma dor parecida com um luto, senti perda, medo e muita tristeza. Não foi exatamente uma surpresa, pois outros profissionais já haviam alertado sobre a possibilidade de ser autismo, mas sempre refutei esse tipo de opinião achando que ele era muito novo para ter um diagnostico deste tipo... Que cada criança tem seu tempo... Todas essas desculpas que usamos na verdade para consolar a nós mesmos.
Mas  as evidências eram fortes demais, o que eu já tinha lido sobre o assunto, somadas as observações do Dr. Sergio deixavam bem claro que era autismo de fato.
O médico usando sua experiência foi enfático: “Ele está muito atrasado e temos muito por fazer!” Era um sábado e tínhamos viajado de Blumenau para Curitiba para consulta, lembro que decidimos de rompante viajar para Ponta Grossa para casa dos meus pais e contar sobre o diagnóstico. Lembro-me do despontamento velado dos meus pais e do incondicional apoio que recebemos deles.
A angustia inicial do diagnóstico durou apenas aquele final de semana, eu e a Silvana começamos a traçar uma estratégia de como lutaríamos contra o autismo do Rafael.
Para nós este diagnóstico sempre foi o retrato de uma situação presente e não uma condição permanente.Este sentimento sempre está presente até hoje e nos alimenta. O diagnóstico “Ele é autista” é apenas um diagnóstico e nunca um epitáfio.
E assim começou nossa caminhada...
Após estes dois anos trabalhando o diagnóstico,  penso ser fundamental o apoio do pai para o tratamento. Não podemos delegar à mãe todas as responsabilidades. As mulheres com seu amor incondicional costumam a se entregar de corpo e alma a tarefa da educação da criança, muito mais se o filho tiver alguma dificuldade e invariavelmente se esquecem de si mesmas.
Por isso temos de cuidar dos dois! É muito fácil para o homem fugir da situação evitando com isso o próprio sentimento de tristeza e revolta por um filho diferente,  mas esta é uma reação de defesa, funciona por um tempo, mas efetivamente não muda a realidade, além de indiretamente sacrificar a mãe.
Parece que falando desta maneira ter um filho diagnosticado autista é um pesadelo, e educa-lo é um sacrifício, um castigo. Tudo bem! Dá trabalho sim, mas é compensatório e até divertido. Mas somente participando o pai entenderá isso.
Quando fazemos o acompanhamento e tratamento como um casal podemos discutir entre nós estratégias e resultados do tratamento, assim formar uma opinião mais objetiva para passar aos profissionais alavancando o processo. 
Além disso estar próximo ao filho nos dá a condição de vermos pequenos detalhes no comportamento dele que  indicam evolução, podemos daí tirar força destes pequenos progressos.
Num seminário de negócios assisti a uma divertida e instigante palestra com o filosofo Clovis de Barros Filho, dentre as muitas perolas um ensinamento soberbo: De que devemos eternizar os instantes felizes.
Isto aplicado em nossa vida tem muita força, mas se aplicamos a vivência com as nossas crianças se torna sublime. 
Todo o pai e mãe de uma criança autista vibra com as coisas triviais que o filho alcança no seu desenvolvimento.Um abraço inesperado, uma palavra nova aprendida, uma nova habilidade (como deixar as fraldas, desenhar a primeira letra no papel) tudo isso são os nossos instantes de felicidade, que devemos eternizar na nossa mente. Acredito que quando fazemos isso vem o ímpeto de continuar em frente.

Eu pessoalmente tive e tenho instantes de felicidade memoráveis de como de quando eu acordei domingo de manha e levantei descabelado e com uma camiseta verde e fui em direção à cozinha. Passando por ele e ouvi habitual “Oi papai!” e em seguida “O papai parece o Hulk”! Seguido de uma risadinha... Foi dali que surgiu a brincadeira do Hulk x Capitão America.
São coisas simples e por isso é preciso estar atento. 



Uma vez ele começou a brincar com o isopor de embalagem e me chamou para mostrar que era uma “palmeira”.



Sempre assistia meus DVD´s de musica com o Rafa, aliás ele adora Rush (opa...! um dos  meus gostos e preferências que passei para ele). De vez em quando ele pede para colocar para ele ver.
 Foi assistindo e imitando o baterista Neil Peart que ele me deu este presente:
No ano passado fui convidado pelo professor de música dele para tocar na festa de encerramento da escola de música, do palco pude ver a alegria e a admiração do Rafa de me ver tocando... O sorriso... as palminhas ...  Eu senti que aquele dia eu era o herói dele...!
São algumas de muitas situações que vivo diariamente com ele e com as quais aprendo muito...
 Enfim a  felicidade está em saber ouvir...!
Gostaria de finalizar dizendo que acredito na felicidade do meu filho, e que acredito na superação deste “estado de autismo”.
 Agradeço por tudo isto ter me deixado mais unido a Silvana e por essa dificuldade ter revelado a todos inclusive a mim força interior que ela tem.
Agradeço aos meus pais, meu sogro e sogra, minha irmã e minhas cunhadas por aceitarem a realidade do Rafa com coragem e otimismo nos incentivando a buscar mais.
 Também agradeço por ter conhecido pessoas como a nossa amiga Ana “fono” do Rafa e também nossa primeira orientadora,  e nosso amigo Naldo que ensina o amor a música ao Rafa , e  por ter conhecido pais que como nós ,se empenham na busca do melhor para seus filhos.
Sei que um dia tudo isso será passado e o que ficará é a sensação de que fizemos nosso papel e que tivemos muitos amigos do nosso lado e que tudo valeu a pena.
Tenho fé e absoluta confiança de que o Rafa é e ainda será muito feliz!"
Marcos Dropa


domingo, 10 de junho de 2012

Usando o banheiro


Uma questão de desafios e lutas é a retirada das fraldas em nossas crianças, muitos são os conselhos e dicas, mas cada criança é claro, vai reagir de forma diferente.
Para o nosso anjo Rafael, decidimos que era hora de abandonar as fraldas quando ele tinha 2 anos e 8 meses, verão, e como sabíamos que ele estaria preparado se ainda nem falava muitas palavras? Percebemos que ele parava tudo o que estava fazendo para fazer xixi ou cocô, geralmente em pé, depois ele voltava a brincar ou ver desenhos, ou seja, tinha consciência do que estava fazendo, foi então que decidimos treina-lo no banheiro; Ele até tinha curiosidade sobre esta peça da casa, mas se incomodava com alguns barulhos de descarga em outros banheiros, diferentes da nossa casa.
Para o xixi, foi necessário duas vezes seguidas deixa-lo sentado no vaso sanitário a força, com o pai segurando e conversando, para ele perder o medo e depois naturalmente seguir o ritmo, claro que como não falava muito, no início levávamos diversas vezes, de tempo em tempo, para que não ocorressem acidentes, que no início é normal. Porém para o cocô não tinha jeito, só colocando fralda e fazendo em pé.

A fralda noturna foi retirada até por acidente, uma noite esquecemos de colocar a fralda, e para nossa surpresa ela permaneceu seca pela manhã. Então, depois disto não usamos mais fraldas à noite, porém para o cocô, sem negociações.
Foi passando o tempo, tentamos outras estratégias, assentos mais macios, banquinho para apoio dos pés, eu criei um livro com a história do cocô, enfeitei o banheiro com um mural para pintar e colar adesivos. O xixi ficou muito natural, faz em pé ou sentado, bem tranquilo e a noite em dois anos e meio só dois acidentes, as estratégias ajudaram muito a entender todo este processo e perder algum medo ou receio do banheiro. Nosso anjo até ficava sentado lá no vaso sanitário brincando, mas quando a coisa apurava, fazia um escândalo até colocar a fralda para o cocô, e ele já falava, pedia a fralda e eu acabava cedendo.
Então, com 4 anos e 7 meses, dois anos depois da retirada de fraldas para xixi e a noite, me revoltei, coloquei duas fraldas que arrebentaram, pois nosso menino é grande e não achava mais nenhuma infantil que coubesse, e fiquei com ele  no vaso aos berros e chutes até fazer o dito do cocô. Infelizmente este processo iniciou no feriado do dia 2 de novembro e perdurou por mais uns quinze dias, e quando eu estava desistindo, exausta, para minha surpresa o Rafael falou: “mamãe, quero cocô” e foi para o banheiro tranquilamente. Mas nestes dias de luta escondi todas as fraldas e quando percebia que ele iria defecar na cueca corria leva-lo a força para o banheiro e dali não saía até ele terminar o cocô.
Hoje percebo que deveria ter insistido no cocô junto com o xixi, e sumido com as fraldas na época, mas com os problemas de comunicação daquela fase fiquei insegura, mas tudo bem, hoje este processo está tranquilo, embora o cocô ele prefira fazer em casa, normalmente segura quando está em outros locais como escola ou casa de parentes, mas quanto a isto sem problemas, quantos adultos não agem assim e não tem problema nenhum. O que importa é você perceber que seu filho já tem a consciência do controle urinário e seguir mais os instintos de mãe do que muitos conselhos, mas um pouco de força e determinação podem ajudar muito nesta conquista.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Filmes, um aprendizado


Há vários filmes disponíveis abordando diretamente ou indiretamente o tema Autismo e Síndrome de Asperger, sendo que na maioria deles o foco fica no personagem com o distúrbio, mostrando seus sintomas e como relaciona-se com o ambiente em que vive. Podemos citar “Adam”, “Temple Grandin”, “Meu querido Jonh”, “Meu nome é Khan”, e o documentário “Autismo, o musical”.
Ontem assistimos novamente, prestando mais atenção, o filme e documentário “Autismo, o musical”, que apresenta como tema central o projeto de uma mãe chamado “Milagre” e que envolve diversas crianças com diferentes graus de autismo, sendo um projeto interessante e desafiador, afinal se com uma criança já temos que ter muita paciência, imagine juntar várias de uma vez, ainda convencendo-as a atuar, cantar, dançar ou tocar e para um público e em um palco (sinopse final da postagem).
Mas o que realmente chama a atenção neste filme é que o foco principal não ficou nas crianças, e ao contar a história de cada criança envolvida no projeto o que se destacou foi justamente o drama familiar de cada uma delas, ou seja, o que o diagnóstico e a convivência com o transtorno causou nos pais e em sua relação enquanto casal, como estes pais lidaram e ainda lidam com os problemas e desafios que vão surgindo no caminho, até porque este projeto durou quase seis meses. E neste momento, nós pais, nos identificamos com muitos relatos das entrevistas do filme, e no final do filme ficamos apreensivos, pois tentamos comparar nossos anjos com alguma das crianças do filme, e principalmente porque voltamos a refletir sobre o futuro e o prognóstico incerto de nossos filhos.
Muitas indagações e desabafos ditos durante o filme, como: “se ele não fosse autista, quanta coisa poderia fazer” ou “ela tem que ser aceita pelos valores da sociedade e não por imposição de uma lei” ou “não importa quanto dinheiro eu tenha ele sempre será autista”, com certeza já passaram por nossa mente ou mesmo por nossos lábios, ou de cuidadores, terapeutas, familiares ou de professores que convivem com nossas crianças. E estas reflexões apresentadas no roteiro nos remetem a perceber que não importa a nacionalidade, as crenças ou cultura, as condições sociais ou econômicas; os problemas, mitos e preconceitos que envolvem o autismo são mundiais.
Enfim, o filme é excelente, muito realista, mostra um projeto lindo que funcionou e que com certeza trouxe muita satisfação para as crianças e suas famílias, e no final do filme, assistindo as apresentações lindas, fica uma mistura de sentimentos em nós, pais, mistura de alegria vendo o potencial destas crianças, sua energia, seus sentimentos, com uma tristeza de ver graus de autismo mais graves em algumas delas, e principalmente da incerteza de onde nossos anjos se encaixariam. Para quem não conhece muito sobre o autismo é um filme bem esclarecedor, mas que mostra a realidade e o dia-a-dia destas crianças. Vale a pena assistir e fazer uma reflexão sobre os relatos e sobre cada história, e perceber o potencial enorme de nossos anjos.

Sinopse:
Elaine Hall é uma das muitas mulheres que após várias tentativas para engravidar, opta emigrar para o país do seu pai (Rússia), decidida a adoptar uma criança. Após esta conquista Elaine descobre que o seu filho, Neal, não está a desenvolver-se como seria esperado e confirma isso mesmo aquando do diagnóstico de autismo.
Ao acompanhar as terapias expressivas em que o seu filho estava integrado, Elaine decide então criar o Miracle Project com o objectivo de trabalhar com crianças autistas com o intuito de promover competências pessoais e sociais.
Este documentário acompanha os seis meses de trabalho desenvolvidos no Miracle project pela equipa de Elaine, com cerca de 22 crianças diagnosticadas com perturbações do espectro do autismo, com o objectivo de criar e encenar um musical. Ao longo deste processo evidenciam-se as dificuldades comunicativas e relacionais que caracterizam as patologias deste espectro.
O documentário aborda ainda diversas questões do ponto de vista de cinco destas crianças e das respectivas famílias que disponibilizaram alguns vídeos caseiros de forma a evidenciar alguns sinais patológicos presentes nos seus filhos.
O filme, dirigido por Tricia Regan em 2007, foi indicado ao Primetime Emmy Awards em 2008 na categoria de Nonfiction Special.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Criatividade

Após ler muitos livros, revistas e reportagens sobre os sintomas do espectro autista, observamos que além de diferentes graus, nem todas as crianças vão apresentar todos os sintomas relatados.


Como citado no livro de Chris Williams e Barry Wrigth: “Imaginação, percepção temporal e memória estão relacionados entre si. Crianças com TID (Transtorno Invasivo do Desenvolvimento) têm dificuldade em todas as quatro áreas...”


O que percebemos diariamente no nosso anjinho Rafael é que ele tem muita criatividade e cada dia mais está desenvolvendo sua imaginação, principalmente nas brincadeiras. Ele muitas vezes se inspira em um desenho ou filme, e agora também no site YouTube no Ipad, onde encontra vídeos de comerciais e brincadeiras, e logo em seguida procura seus brinquedos que sejam semelhantes ou que possam fazer um efeito parecido e inicia suas brincadeiras, também mistura os brinquedos para criar brincadeiras diferentes, faz um castelo com peças de montar, pega seus caminhões enche de peças que seriam caixas e vai criando.






Com a parte de desenhos já consegue desenhar, não só rabiscar, precisa melhorar a imaginação ou entender que pode usá-la em desenhos, hoje desenha o que sugerimos, mas de uma forma que ele imagina na sua cabeça, dificilmente o desenho é de uma forma tradicional, normalmente a perspectiva é um pouco diferente.




Rafael também é extremamente visual, ele tem uma memória visual invejável, caminhos percorridos dificilmente são esquecidos assim como locais já visitados, e uso este recurso para ensiná-lo, como por exemplo, para as tarefas, ele precisava fazer a tarefa da escola sobre o caracol, então além de desenharmos juntos um caracol, fiz ele colar terra (onde ele mora) e colar folhas próximo a sua boca (o que ele come), e pode perguntar para ele sobre o caracol, que ele vai saber responder, realmente entendeu e aprendeu.




O autor citado acima também aponta sobre a dificuldade constante de planejar o futuro e entender o decorrer do tempo, realmente isto tem que ser ensinado, percebo que o Rafael ainda confunde um pouco o ontem, hoje e o amanhã, ele fala certinho as atividades de um mesmo dia, não as mistura, mas erra ao dizer se foi hoje ou ontem ou será amanhã, então eu continuo mostrando o seu calendário semanal, que ajuda a entender principalmente atividades futuras, pois ele consegue visualizar as atividades da semana toda e quantos dias faltam para o fim de semana, ou para uma viagem ou festa, o próximo passo será um calendário, mas primeiro temos que deixar a semana ficar bem fixada no seu entendimento.


Sendo assim, devemos continuar nos informando sempre, lendo, lendo e lendo, mas é muito importante filtrarmos as informações e entender que nem tudo se aplicará a nossas crianças, senão entramos em desespero, mas mesmo que nossos anjinhos tenham algum grau da dificuldade citada, é possível trabalhar para melhorá-la, treinar para que nossas crianças diminuam suas dificuldades e criar mecanismos e ferramentas para que este aprendizado fique mais fácil e divertido.

Afinal, nosso anjo Rafael adora brincar, brinca todo o tempo, desde que acorda até a hora de dormir, gosta de ver desenhos e filmes, de jogar no Ipad, mas nada substitui suas brincadeiras, quer dizer, um parque sim pode substituir seus brinquedos...Mas este assunto fica para uma próxima postagem.