quarta-feira, 20 de junho de 2012

Comunicação: como ajudar nossos anjos



Uma dificuldade de crianças com transtornos do espectro do autismo é na parte de comunicação, principalmente verbal, algumas demoram a falar e compreender nosso mundo, outras podem nunca falar e somente emitir sons e ainda assim se comunicar de outras formas.
Sendo assim cito abaixo o texto do livro de Chris Williams e Barry Wright sobre o assunto e na sequência mostro como trabalhei e ainda trabalho esta questão com meu anjo Rafael.

“Para ensinar crianças a se comunicarem, temos que ajuda-las a entender que palavras, figuras e símbolos têm significado. O processo inicial é ensinar a associação entre figuras e objeto, que pode ser feito com jogos nos quais se nomeiam objetos. Depois, pode expandir-se para atividades, inicialmente usando-se ações reais (por exemplo, beber no copo) e, então, o abstrato (por exemplo, fingir que bebe no copo). Assim, pode-se usar a figura de um copo para expressar a necessidade de beber. Depois que se aprende essa etapa, pode-se acrescentar mais figuras.
Há dois modos de se usar figuras mais sistematicamente: o sistema de comunicação com troca de figuras para melhorar a comunicação; e o horário visual, o qual se emprega uma série de figuras para explicar uma sequência de eventos futuros. Constatamos que ambos são de grande utilidade para muitas crianças. Algumas talvez não atinjam este estágio, mas ainda assim recebem ajuda com o uso de cartões isolados para indicar o que farão a seguir.”

Quando o Rafael tinha três anos, e não falava nenhuma palavra inteira, somente algumas sílabas, montamos um caderno colando figuras de revistas, escrevendo o nome embaixo com canetinha, geralmente de objetos de seu interesse ou do dia-a-dia, e ficávamos horas mostrando para ele e repetindo as palavras, neste momento ele começou a nomear os objetos com a sílaba que ele conseguia falar, por exemplo, carro era ca, música também era ca, bola era bo, Depois de muitos meses em terapia com fonoaudióloga, pedagoga e musicoterapia é que começou a falar as palavras inteiras. Seu nome de orou um pouco mais para falar, seu professor de música até compôs uma música com seu nome para ajudar a ensina-lo.
Em paralelo a esta etapa, criamos cartões, como uma agenda visual, para diminuir sua ansiedade, uma vez que só falando para ele o que faríamos em seguida ele parecia não entender, e mostrando os cartões ele ficava mais calmo e confiante quanto a sua rotina diária.
Materiais: grampeador, cola, tesoura, papel colorido tipo cartão ou cartaz, papel contact, fotos impressas.


Estes cartões são fáceis de fazer:
- Cortam-se quadrados ou retângulos de papel cartaz colorido;
- Com grampeador, grampeia um pedaço de velcro atrás do papel recortado;
- Imprime fotos pequenas das várias atividades diárias da criança e recorta-se um pouco menor do papel colorido;

 - Cola-se a foto recortada na parte da frente do papel colorido deixando uma borda;
- Pode escrever o nome da atividade ou colar este nome impresso;
- Cobrir a frente do cartão (lado da foto) com papel contact para proteger a foto de acidentes;
- Pregar ou colar uma tira do outro lado do velcro na parede ou em um mural;
- Fixar com o velcro os cartões com atividade do dia ou do período desejado em local que a criança tenha acesso para ver as fotos e poder manipula-las junto com os pais ou cuidadores (atrás da bateria na foto ao lado está fixado o velcro com os cartões).

Para nosso anjo isto funcionou muito bem, ele começou a entender a sequência de seus dias, ficou menos ansioso, adorou as fotos, com o tempo ajudava a montar a rotina diária. Usei estes cartões por um ano.


Quando Rafael fez quatro anos, já não era mais preciso usar os cartões, ele entendia bem a rotina quando explicávamos o que iria fazer no seu dia, mas como sua escola mudou de local físico, decidi fazer cartões mais simplificados, só com as atividades principais. Ajudou bastante também e foram usados só por um período, depois não precisou mais.






E este ano, com a mudança de escola, de amigos, de professora, e por ele estar já maior, decidi que ele deveria entender sua rotina semanal e não só diária e por isso montei um quadro com a semana toda dele, onde coloco as atividades em cada dia respectivo. Ele já sabe de cor o que ocorre cada dia, mas este calendário ajuda quando tem feriados ou alguma visita ou atividade que poderia causar ansiedade por não saber quantos dias falta, então colamos no quadro da semana um desenho, ou um convite do evento no respectivo dia da semana que ele vai ocorrer e assim o Rafael sabe exatamente quando será o tão esperado evento, festa ou passeio, ou até quando alguma terapia muda de dia.



Além das ferramentas de comunicação que utilizamos com as crianças, somadas as terapias, não podemos esquecer algumas dicas preciosas para comunicação de nossos pequenos:
  1.  Usar linguagem simples, poucas palavras (“Rafael guarde os brinquedos”, ao invés de “Rafael, por favor, vai guardar os brinquedos”);
  2. Contato frente a frente, mesmo que a criança não goste de olhar em seus olhos, aproxime-se e tente o contato visual, não podemos desistir de ensina-los que olhar nos olhos é muito importante;
  3. Dar tempo para as respostas, nossos anjos podem demorar um pouco mais de tempo para processar e entender o que estamos dizendo;
  4.  Falar mais devagar, facilitando o entendimento da informação;
  5.  Repetir a informação se necessário.
E além de todas as intervenções e ferramentas adicionar muita paciência, amor e dedicação!

2 comentários:

  1. oi!gostaria muito de saber mais sobre esses cartoes com as fotos,faço um mural na parede ou faço em um caderno com o velcro?quero mostrar ao meu filho os lugares aonde iremos antecipadamente...meu filho tem 5 anos quase nao fala nada e sò agora fiquei sabendo desses cadernos com fotos e velcros..agradeço e parabens pelo blog..bjo

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  2. Olá Bruna
    Para o Rafael, cos primeiros cartões, como ele era novo, tinha 3 anos e não falava, coloquei o velcro com pregos pequenos direto na parede do quarto, em uma altura visível para ele, pois no início eles não olham muito e fazem que não entendem, mas vc deixa ali e eles vão gostando das fotos, vão analisando e entendendo o significado, que realmente é a rotina deles. Como o seu menino tem 5 anos, e provável que uma rotina mais agotado, como meu Rafael hoje, vc pode pensar na possibilidade de fazer algo para ele carregar junto consigo, como se fosse uma agenda visual, pode ser a capa dura de um caderno, ou um quadrado de papelão ou cartolina dura revestido de algo que fique bonito e chame a atenção dele, hoje tem várias opções de papel contact colorido e estampado para revestir, e aí ele pode carregar consigo, senão pode colocar no quarto dele, na parede ou se ele tiver algum mural pode improvisar algo no próprio mural, mas é legal ficar na altura dele, e que ele possa manipular e ajudar a montar a rotina, até para aprender a expressar suas vontades e ver que negociar é legal e pode conseguir o que quer, pois mesmo não falando eles se comunicam bem, nós sabemos disto. Qualquer coisa pode me mandar um email direto. Abraços.

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