segunda-feira, 25 de março de 2013

Vivendo em uma montanha russa!

Este é o sentimento de pais e familiares de crianças especiais, viver diariamente em uma montanha russa, com altos e baixos a todo momento.
Muitas alegrias, muitas conquistas, muita evolução, e de repente alguns períodos de crises, birras, tristeza e dúvidas.
E neste ponto de mudança aparece o papel crucial de nós cuidadores: bancar os detetives e literalmente investigar tudo o que pode ter desencadeado a mudança brusca de sentimentos e causado as reações inesperadas e indesejadas.
As crianças no espectro autista, mesmo sendo verbais, tem muita dificuldade em expressar por palavras seus sentimentos, dores e angústias, e normalmente tentam nos passar estas informações através de reações, que para nós são como um sinal de alerta de que algo está errado.
Mas o problema é a sociedade entender que estas reações são sinais de algo que não se consegue expressar por palavras, e mesmo divulgando tantas informações sobre o assunto esbarramos em dificuldade de compreensão com vários profissionais, especialmente educadores que estão mais habituados a reações típicas de criança, que fazem birras falando, resmungando e reclamando.
O que precisamos entender e divulgar é que toda criança faz birra, fala, reclama, e atormenta os pais quando querem algo que desejam ou quando não querem esperar até a hora de uma festa, por exemplo, mesmo que seu entendimento seja bem desenvolvido. E nossos anjos expressam sua insatisfação de outras formas, muitas vezes batendo, se agredindo, gritando, pulando, jogando objetos ou chorando. Mas toda criança vai expressar suas vontades e tentar forçar seus cuidadores a ceder.
Neste ponto deve prevalecer o bom senso, conversar e negociar com as crianças verbais e que consigam entender só através de palavras a explicação, ou usar ferramentas para acalmar e fazer as crianças que precisem de mais paciência para compreenderem a explicação e os motivos de uma mudança, de uma espera ou de uma negativa. Porque sim, nós pais e cuidadores precisamos algumas, ou melhor, muitas vezes dizer NÃO as crianças!
Mas para estabelecer limites para um anjo azul é necessário primeiro muita paciência, muita calma e o uso de ferramentas, normalmente visuais. Por exemplo, se a criança estiver muito ansiosa e você acreditar que seja por não saber o que ela fará em seguida, como no fim de semana que a rotina é alterada, um calendário visual de atividades ajuda muito a explicar qual a sequência de atividades para aquele dia. Se a agitação for por causa de mudança física, o cuidador pode mostrar algo de interesse no local, para que a criança se interesse pelo local alterado e esqueça o desconforto que a mudança lhe gerou. Acredito que sempre desviar o foco da birra para algo interessante e despertar o interesse por algo no local do conflito ameniza muito as crises. O que não podemos fazer é alimentar ainda mais os motivos das birras, focando só no negativo, devemos valorizar o lado positivo das situações, elogiando suas ações positivas e desviando dos comportamentos negativos.
E vamos divulgar, informar e ensinar todos que nos cercam e convivem com nossos anjos, para conseguir educa-los com calma e sem traumas, amenizando as curvas da nossa montanha russa, transformando nosso "passeio" em algo agradável e divertido!