quarta-feira, 15 de maio de 2013

O Beija-flor

Era uma vez um garotinho que estava estudando as aves na escola.
Cada dia ele chegava falando sobre uma ave: "mãe, a cegonha tem uma bolsa, e carrega bebê...", "mãe, a coruja dorme...".
Então este lindo garotinho recebeu uma tarefa para fazer em casa com os pais, um cartaz sobre qualquer ave e seus hábitos.
Na manhã seguinte sua mãe lhe perguntou qual ave ele gostaria de estudar, e para sua surpresa, o garotinho respondeu: "o beija-flor".
Prontamente sua mãe o levou até o computador para escolher fotos sobre o beija-flor, e realizaram uma minuciosa pesquisa.
Nos dias seguintes, mamãe, papai e o garotinho continuaram a realizar a tarefa, desta vez moldando com massinha um lindo beija-flor, uma flor e um ninho com ovinhos. 
Os olhos do menino brilhavam vendo cada etapa da tarefa sendo concluída.

                                                                                                                               
  
 Todo o material para o cartaz ficou pronto: fotos recortadas, pinturas secas, massa de modelar seca, chegou a hora de montar o cartaz, e com todo o entusiasmo do mundo, o garotinho fez questão de colar tudo no lindo cartaz.
Depois de colar as fotos, mamãe leu para o garotinho o resultado da pesquisa sobre os hábitos do beija-flor que ele havia colado no cartaz, e ele maravilhado tentava repetir o que mais lhe interessava sobre a ave.
Terminada a tarefa, o menino foi brincar satisfeito, alegre por ter feito um cartaz tão lindo e principalmente por ter ajuda de sua mamãe e de seu papai.
E no dia de entregar a tarefa na escola estava radiante por mais um aprendizado, e orgulhoso de sua linda tarefa.

E vocês, queridos leitores, conhecem sobre o beija-flor?
Vou resumir o que descobrimos em nossa pesquisa:

COMEM NÉCTAR (AÇÚCAR DAS FLORES) E ALGUNS INSETOS (ARANHAS).
VISITAM ATÉ 1.500 FLORES POR DIA E PODEM COMER FRUTAS TAMBÉM.
CONSTROEM OS NINHOS COM GRAMA, FLORES, FOLHAS E MUSGO.
FÊMEA (MAMÃE) COLOCA APENAS 2 OVOS, CONSTRÓI O NINHO E LEVA COMIDA PARA SEU FILHOTE (BEBÊ).

SÃO CAMPEÕES DE VÔOS, SÃO PEQUENOS E ÁGEIS.

NAMORAM EM LINDOS VÔOS!
ELES NÃO TÊM MEDO DAS PESSOAS E AJUDAM NA PRESERVAÇÃO DA NATUREZA, AJUDANDO NA MULTIPLICAÇÃO DAS FLORES.


É O PÁSSARO MAIS DELICADO E ENCANTADOR!
GOSTA DE COMER, TOMAR BANHO E DESCANSAR SOZINHO, QUANDO JUNTOS COM OS AMIGOS BRIGAM OU PERSEGUEM UNS AOS OUTROS.

Coincidência, sensibilidade ou afinidade do beija-flor com o nosso anjo?
Esta dúvida ficou martelando em nossas mentes, assim como uma reflexão profunda... 
Buscamos tanto defender e proteger nossos anjos de tudo e de todos, que acabamos esquecendo sua natureza delicada e encantadora e sua imensa vontade de voar, com lindos e ágeis vôos, e com isto corremos o risco de prendermos nosso beija-flor na gaiola e assim anular toda sua espontaneidade e vontade de sobreviver e aprender!
O que fazer então? 
Não existe fórmula pronta, talvez seja encontrar um equilíbrio, ou observar com atenção nossos anjos, ou dar mais liberdade, ou talvez seja confiar ainda mais em seu potencial, ou talvez a mistura de tudo isto...
Só não vamos prender nossas crianças em gaiolas com medo do mundo ou das pessoas, até porque elas estão crescendo e as gaiolas podem se transformar em jaulas....
O importante é confiar e acreditar em lindos vôos!

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Caminhando sobre o arco íris


Texto escrito pelo papai Marcos:

Numa tarde de Domingo, depois de uma chuva tímida, se formou um belo arco íris o qual podíamos ver da sacada do prédio e do qual tirei a foto abaixo:


A Silvana chamou o Rafinha para ver. Ele olhou longamente para o céu, deu um grande sorriso para a mãe e pediu:
Mãe? Vamos andar no arco íris?
Ela respondeu brincando que para chegar lá teríamos que “pegar” um dragão!
Ele, muito sério disse que o dragão soltava fogo... E mais tarde, ainda encantado com a visão do arco íris, foi procurar um dragão na casa da avó... ”Para chegar ao arco íris!”

Essa historinha do Rafa nós partilhamos com os amigos porque para nós foi uma felicidade desfrutar da imaginação dele e ver ainda preservada nele a ingenuidade e a espontaneidade típica de qualquer criança.
Mas penso que esta seja uma grande metáfora sobe o exercício de ser pai de um anjo azul:

Quando nós pais sabemos do diagnóstico é como se a vida nos desafiasse a andar sobre o arco íris.
Entrando no mundo azul, começamos a sondar  o terreno  buscando um Norte e percebemos que nada é muito garantido nele:
Existe muito esforço e resignação dos pais, existem pessoas engajadas na causa (pais e profissionais), muitos métodos, muitas teorias, mas nem de longe  há um caminho verdadeiramente  definido...uma trilha clara, lógica ,linear que traga  a nosso filho progresso ritmado que o leve a  tão sonhada “normalidade”.

Diante disso alguns escolhem o conformismo achando que nada podem fazer, outros fazem estritamente o que é prescrito a eles e ainda há os buscam o novo tentando virar o jogo.
Em todos veremos indiscutivelmente um amor ágape, mais espiritual do que paternal, a plena convicção da paternidade como uma missão: O resgate do ser amado.
Mas se este é o sentimento comum a todos os pais, acredito que esta missão não deva ter limites, portanto “buscar o dragão” é a melhor atitude.

Por isso ler, estudar o assunto, questionar diagnósticos, prognósticos, ser ativo no sentido de buscar um caminho, uma solução é um exercício sagrado para os pais. 
Não podemos ser passivos afinal o autismo é uma barreira a ser vencida por nós principalmente.
Esta atitude da busca pela resposta não é nova, houveram muitos pioneiros, pessoas que ousaram lutar por uma condição melhor para seus filhos “caminhando sobre o arco íris”.
Pesquisando o assunto vemos exemplos como o do casal Kaufman que nos deixou o Son-Rise ou o exemplo do Dr. Bernard Rimland que lançou a pedra fundamental do protocolo DAN.

Eles não eram pesquisadores do autismo, eles eram pais de autistas como nós somos e viviam numa época em que a classe médica “confortava” os pais com teorias como a da “mãe geladeira”.
Sem se conformar com a falta de perspectivas, eles acreditaram que tinham uma missão e deixaram atrás de si um legado do qual a maioria de nós se beneficia hoje.

Se compreendermos o autismo por essa ótica, nosso verdadeiro dever talvez seja este de não se conformar com o que existe, de tentar encontrar o caminho percorrendo todos os sentidos possíveis e acima de tudo ter fé no que podemos fazer quando inspirados pelo amor e o sentimento de realização.
Se acreditarmos nesta missão, neste propósito de buscar uma resposta e honrarmos o pioneirismo destes pais, até onde podemos chegar?

Portanto, mesmo que você ainda ache difícil ou impossível, comece agora a buscar pelo seu dragão para que um dia você  também seja capaz de” caminhar sobre o arco íris”!

Marcos