sexta-feira, 27 de junho de 2014

Escola: agora a coisa é séria!!!

Rafael no ano de 2013 estava cursando a educação infantil, com um ritmo mais de brincadeiras, hora do parque, desenhar, pintar, tudo em um formato mais leve.
Mas como ele completou 7 anos em abril, e mudamos de cidade, todas as escolas procuradas e visitadas insistiram que ele teria de cursar o primeiro ano, mesmo não tendo cursado o pré.
Então optamos por uma escola inclusiva, sim, verdadeiramente inclusiva, e até por sugestão da coordenação, nosso anjo foi matriculado em uma classe especial onde todo o material é adaptado e a professora resgataria alguns conceitos da educação infantil e introduziria ele no primeiro ano.
E não é que está dando certo? Ele está muito feliz na sua escola, e mesmo que todos digam (inclusive eu dizia) que turma especial fica prejudicado o lado social e comunicação, na nossa experiência está sendo totalmente o inverso, ele está cada vez mais social, se sente aceito, percebe que existem outras diferenças, inclusive físicas e que ele não é inferior a ninguém, e sim que cada criança pode ter uma dificuldade diferente.
E agora a coisa é séria, primeiro ano, carteira escolar individual, sala de aula, tarefas e muitos aprendizados. Lá na escola ele quase não reclama, a professora relatou que quando ele perde o foco, ela muda a atividade, faz algo lúdico em forma de brincadeira para que as crianças possam fixar o que estão aprendendo.
E claro que quase todos os dias vem tarefa para fazer em casa. E aí começamos uma nova luta, e onde me lembrei das sábias palavras do Nicolas Brito, adolescente autista, que falou em sua palestra que na escola não é lugar de dormir porque em casa ele tem que fazer tarefa escolar.
E assim tem sido a hora da tarefa, primeiro ele tenta me enrolar, vou fazer depois, ou vou fazer de noite, depois reclama muito, diz que quer brincar, ver TV, qualquer desculpa que encontra, e quando ele vê que não tem mais jeito, ele senta na mesa, mas ainda reclamando muito (agora ele consegue expressar todas suas reclamações por palavras!!!!).

Então veio a ideia de como incentivar  e transformar a hora da tarefa em uma hora positiva e não em uma guerra, vamos fazer um quadro de recompensas. 
E lá fomos nós, confeccionamos o quadro, explicamos as regras para ele: se fizesse a tarefa ganharia adesivos para colar no quadro e quando chegasse na foto da surpresa ele poderia escolher um presente.
Ele se empolgou um pouco, mas insistia em querer saber que surpresa era esta que ele iria ganhar (vai que não compensasse!!!!), então decidimos perguntar o que ele queria, e ele pediu um "Citroen".


A partir deste dia ele realmente se empolgou  e o papai junto, ganhou até uns adesivos por bom comportamento. E quando iniciava reclamações para fazer a tarefa lembrávamos dos adesivos e ele se esforçava e fazia tudo o que era pedido.
Pedi o famoso Citroen pelo correio, não encontrei em lojas, e quando o pacote chegou, mesmo estando todo embalado, ele já sabia que era sua surpresa, mas faltava um adesivo e teve que aguentar a ansiedade.
Quando o pai chegou correu fazer a tarefa, caprichou e foi colar o último adesivo para ganhar a surpresa.
E com toda sua educação correu e perguntou se poderia pegar o seu embrulho da surpresa e quando sinalizamos que sim, quem recebeu uma surpresa fomos nós, a reação do Rafael foi surpreendente, correu todo alegre, cantando e gritando, pegou seu pacote e estava tão feliz como se tivesse ganho um prêmio milionário. Abriu e correu brincar com seu famoso Citroen.

Como já citamos em outras postagens, estamos aprendendo a educar e ensinar de algumas formas diferentes, pois a medida que nosso anjo vai mudando, vai melhorando, vai evoluindo, nós também vamos nos adaptando,às vezes errando, outras vezes acertando, mas não desistindo jamais.
Provavelmente daqui a alguns meses não precisaremos mais usar o quadro de recompensas, mas o que importa é ele ter tornado a hora da tarefa mais leve, o que ajuda muito em seu aprendizado.

No autismo não tem fórmula mágica e nem tudo que funciona para uma criança será efetivo para outra, mas porque não compartilhar e quem sabe tentar?????

Para finalizar o nosso querido Nicolas com sua reflexão: