sexta-feira, 18 de julho de 2014

Nossa história de piscina e natação...

Hoje lendo uma postagem de uma mãe sobre um evento em uma piscina pública me lembrei de como decidimos buscar aulas de natação para o Rafael.

No aniversário de 4 anos, um ano após o diagnóstico, optamos no lugar de  uma festa que na época ele não gostava, realizar uma viagem em um hotel fazenda da região, uma vez que esta data era próxima aos feriados de Páscoa.

Assim que chegamos fomos explorar o hotel e ver tudo o que podíamos fazer de divertido com o Rafael, e encontramos uma piscina térmica, e como ele sempre foi maluco por água, papai decidiu continuar a caminhada e nós dois fomos nos trocar para ir na piscina.
Rafael brincava na água e se divertia muito, só que naquela época sua diversão era ficar batendo na água e com isto jogava água para todos os lados, mas como tinha poucas pessoas não me preocupei, pois não estava machucando ninguém. Até que chegaram duas mulheres com o maior cuidado com seus cabelos, e sentaram na parte rasa da piscina próxima a nós, e foi aí que iniciaram nossos problemas. Rafael continuou sua brincadeira de bater na água, primeiro elas falaram entre si e eu fingi que não era comigo, porém em seguida elas me abordaram e pediram para ele parar, foi aí que eu expliquei que ele era autista, e para minha surpresa elas não esboçaram nenhuma reação a não ser que ele parasse realmente de jogar água. Eu fiquei tão chocada que não quis mais ficar ali com pessoas deste tipo e delicadamente falei com o Rafael que iríamos procurar o papai e brincar em outro lugar e ele aceitou, e foi que saímos dali, daquele ambiente com pessoas egoístas e indelicadas.
  
Piscina Aquecida


O resto dos dias o papai queria descobrir quem eram as mulheres da piscina, mas como um sistema de defesa minha mente preferiu apagar aquela imagem, aquela dor que senti. Continuamos nossos passeios e brincamos diversas vezes na piscina sem mais nenhum problema.
Pescando no lago com papai!
Quando retornamos para casa uma decisão estava tomada, Rafael precisava fazer natação, por dois motivos, o primeiro de segurança, pois gostava muito de água e não tinha medo, poderia cair em uma piscina e se machucar, e o segundo para aprender como agir em uma piscina e respeitar outras crianças não jogando água em seus olhos, por exemplo.
Mas como matricula-lo, se na época não aceitava nada na cabeça?
Mesmo assim procuramos uma escola para matricula-lo e fomos muito bem recebidos por uma academia que se dispôs a ministrar aulas particulares de natação para ele, e para nossa surpresa a vontade de nadar era tanta, que colocou touca, roupão e chinelo.
Aprendendo a mergulhar!
Ele continua fazendo natação até hoje, é um esporte muito completo, além de aprender a nadar e conseguir sair de uma piscina caso se jogue nela (o que ele já fez após iniciar as aulas e provou que consegue sair da piscina de roupa e sapatos) ele também aprendeu a mergulhar e brincar de outras formas na piscina. Os esportes ajudam na parte social, aprendendo a se comportar, respeitar os colegas, esperar sua vez, trabalhando o corpo e a mente e também a respeitar o espaço das pessoas dentro do mesmo ambiente.
 
Aula Segurança!

Primeiro Festival de Natação em 2011!








Fico muito triste quando escuto um relato de preconceito de uma família de autista, porque infelizmente algumas pessoas nunca conviveram com o diferente, e até nós quando éramos crianças tínhamos muito tabu sobre o diferente, que geralmente ficava em casa escondido ou em instituições especializadas, e agora que esta situação está mudando, com a inclusão escolar e com nossos filhos frequentando qualquer ambiente público, ainda encontramos resistência, egoísmo e falta de tolerância com comportamentos diferentes.

Mas não podemos nos abater, não é necessário querer mudar nossos filhos, mas prepara-los para a vida, que é dura, eles estão crescendo e ainda passarão por muitas situações embaraçosas, e como não somos eternos teremos que prepara-los para o mundo, que muitas vezes é cruel mesmo.